20 anos.
20 anos já não é brincadeira. é suposto ter noção do bem e do mal, saber o que quero fazer da vida, ter uma personalidade definida, ter tento na língua e ser responsável pelos próprios actos. é suposto já sermos alguém, sermos uma pessoa capaz de pensar pela própria cabeça e actuar de acordo com a sua consciência. é suposto fazermos alguma coisa da vida. tudo isso é suposto com 20 anos de vida. então porque será que não me sinto assim tão realizada? em 20 anos, o que raio fiz pela minha família, pelo meu país, pelo mundo, por alguém, por quem quer que seja? ...
é desanimador pensar que não fiz rigorosamente nada em 20 anos de existência. estudo há 14 anos e deverei continuar por uns tantos mais. entre trocas de cursos e crises existenciais, devo chegar aos 23 com dois cursos superiores totalmente diferentes e sem experiência de trabalho. nada. nicles batatóides. o mercado de trabalho está cada vez pior. em RI ainda me safava se trabalhasse a sério e se lambesse algumas botas (se bem que dar graxa seja algo que odeio). mas em música? neste país, ainda por cima... estou feita.
porque é que tenho de ser diferente? eu podia ser normal, podia querer ser advogada ou arquitecta ou engenheira ou médica ou outra porcaria qualquer que fosse convencional. mas não. não é isso o que eu quero. o que eu quero é música. e em música, principalmente em piano, ou se é o melhor ou ciao. e eu não sou a melhor, nem pouco mais ou menos. ah! quem me dera. se eu não fosse parva, se eu estudasse como deve ser, se eu fizesse o que me é suposto fazer... não duvido das minhas capacidades, sei que tenho um mínimo de jeito e sei que nem todas as pessoas fazem o que eu faço, mas não sou a melhor nem tenho a matéria-prima para o ser. pelo menos não a piano. então porque raio é que quero ser a melhor a isso mesmo?
por outro lado, tenho RI. novamente, não sou a melhor nem nada que se pareça. é realmente uma matéria (ou antes, várias matérias) que me interessa(m). e o curso é fenomenal. mas este ano deu para pensar e confirmei o que penso que já sabia há muito: sou demasiado ingénua para esse mundo. é verdade que as minhas primeiras impressões são sempre as piores, mas isso é apenas um mecanismo de defesa para não sair magoada das relações em que me envolvo. lá bem no fundo, sou uma criança que acredita sempre no bem intrínseco ao ser humano. penso que como eu não faria mal a ninguém, ninguém me há-de fazer mal. mas o mundo não funciona bem assim...
portanto, em 20 anos deu para perceber que sei distinguir o bem do mal, pensando sempre no pior mas acreditando sempre no melhor; sei que quero fazer música para o resto da minha vida, mas não sei bem como fazê-la; não diria que tenho uma personalidade definida, mas antes várias personalidades sobrepostas, embora sejam bem distintas umas das outras; tenho dias em que digo tudo o que penso sobre tudo o que vejo e tenho outros em que simplesmente não me interessa nada; e sim, por enquanto ainda me responsabilizo por aquilo que faço e, mais importante ainda, por aquilo que não faço.
será que sou uma pessoa crescida? com 20 anos e tantos problemas? gosto de pensar que sim. gosto de pensar que as pessoas crescidas têm de ter problemas para serem crescidas. mas gostava que não tivesse de ser assim.
20 anos já não é brincadeira. é suposto ter noção do bem e do mal, saber o que quero fazer da vida, ter uma personalidade definida, ter tento na língua e ser responsável pelos próprios actos. é suposto já sermos alguém, sermos uma pessoa capaz de pensar pela própria cabeça e actuar de acordo com a sua consciência. é suposto fazermos alguma coisa da vida. tudo isso é suposto com 20 anos de vida. então porque será que não me sinto assim tão realizada? em 20 anos, o que raio fiz pela minha família, pelo meu país, pelo mundo, por alguém, por quem quer que seja? ...
é desanimador pensar que não fiz rigorosamente nada em 20 anos de existência. estudo há 14 anos e deverei continuar por uns tantos mais. entre trocas de cursos e crises existenciais, devo chegar aos 23 com dois cursos superiores totalmente diferentes e sem experiência de trabalho. nada. nicles batatóides. o mercado de trabalho está cada vez pior. em RI ainda me safava se trabalhasse a sério e se lambesse algumas botas (se bem que dar graxa seja algo que odeio). mas em música? neste país, ainda por cima... estou feita.
porque é que tenho de ser diferente? eu podia ser normal, podia querer ser advogada ou arquitecta ou engenheira ou médica ou outra porcaria qualquer que fosse convencional. mas não. não é isso o que eu quero. o que eu quero é música. e em música, principalmente em piano, ou se é o melhor ou ciao. e eu não sou a melhor, nem pouco mais ou menos. ah! quem me dera. se eu não fosse parva, se eu estudasse como deve ser, se eu fizesse o que me é suposto fazer... não duvido das minhas capacidades, sei que tenho um mínimo de jeito e sei que nem todas as pessoas fazem o que eu faço, mas não sou a melhor nem tenho a matéria-prima para o ser. pelo menos não a piano. então porque raio é que quero ser a melhor a isso mesmo?
por outro lado, tenho RI. novamente, não sou a melhor nem nada que se pareça. é realmente uma matéria (ou antes, várias matérias) que me interessa(m). e o curso é fenomenal. mas este ano deu para pensar e confirmei o que penso que já sabia há muito: sou demasiado ingénua para esse mundo. é verdade que as minhas primeiras impressões são sempre as piores, mas isso é apenas um mecanismo de defesa para não sair magoada das relações em que me envolvo. lá bem no fundo, sou uma criança que acredita sempre no bem intrínseco ao ser humano. penso que como eu não faria mal a ninguém, ninguém me há-de fazer mal. mas o mundo não funciona bem assim...
portanto, em 20 anos deu para perceber que sei distinguir o bem do mal, pensando sempre no pior mas acreditando sempre no melhor; sei que quero fazer música para o resto da minha vida, mas não sei bem como fazê-la; não diria que tenho uma personalidade definida, mas antes várias personalidades sobrepostas, embora sejam bem distintas umas das outras; tenho dias em que digo tudo o que penso sobre tudo o que vejo e tenho outros em que simplesmente não me interessa nada; e sim, por enquanto ainda me responsabilizo por aquilo que faço e, mais importante ainda, por aquilo que não faço.
será que sou uma pessoa crescida? com 20 anos e tantos problemas? gosto de pensar que sim. gosto de pensar que as pessoas crescidas têm de ter problemas para serem crescidas. mas gostava que não tivesse de ser assim.
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