sábado, 31 de maio de 2008

Odeio

terças-feiras

café

chá

tabaco

machismo

feminismo

pessoas ignorantes

fanáticos por ideais políticos absurdos

que as minhas amigas se armem em casamenteiras.....

futebol mal jogado

não ter o relógio no pulso

unhas compridas (panca de pianista...)

que as pessoas não digam o que realmente pensam

ver os meus amigos a sofrer

que me vejam chorar

economia

Adoro

boas pessoas

os meus amigos

o meu piano

ajudar os outros

segundas-feiras

Robbie Williams

sábados

honestidade

rir às gargalhadas até não poder estar de pé

retórica

"Conta-me como Foi"

esferográficas BIC

The Beatles

Londres

os meus amigos (outra vez, porque eles têm de ser especiais, para me conseguirem suportar)

estar feliz

"Conversa da Treta"

dias de sol

noites de Verão, sem nuvens e com uma leve brisa no ar

tempestades de Verão

Lisboa

teatro

W. A. Mozart

quando estou deitada na minha cama e ouço a chuva a bater na janela

sonhar

sumo de laranja

torradas quentinhas

viajar

F. Chopin

Barrancos

que me façam rir

L. van Beethoven

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Deus, ou não...

Não acredito em Deus. Será que só se deve fazer o bem aqui para poder ter um lugar ao pé do Chefão quando morrermos? Não percebo. Nunca percebi e cena da Religião. Qualquer Religião. Não são os Católicos, os Protestantes, os Judeus, os Muçulmanos, os Budistas ou outros quaisquer; são todos. Porque é que as pessoas escolhem em acreditar numa farsa? Atenção: eu não quero ofender ninguém. Tenho amigos de todas as espécies e feitios, não tenho qualquer problema em aceitar Regligiões. A sério que não tenho! Não acredito, não compreendo, não quero que me venham tentar evangelizar. Já tentaram, não conseguiram, não vão conseguir. Ouço o que me tenham para dizer, mas, sinceramente, ouço-o com ouvido crítico. Religião é um daqueles assuntos que me interessam bastante, mas nunca como crente.
Deus não existe. Foi inventado por Homens que não podiam explicar o que viam, o que ouviam, o que sentiam... Os Homens das cavernas não sabiam de onde veio o fogo, por isso, deduziram que tinha sido Deus a mandá-lo. Hoje sabemos perfeitamente como o fogo pode ser feito; não é Deus, é Química! Há 500 anos havia coisas que não podíamos explicar; era Deus... Daqui a 500 anos, se entretanto não nos tivermos destruído uns aos outros (mas isso fica para outro post), haverá explicações para coisas que hoje não podemos explicar; não é Deus. Nunca é Deus! É ciência; é Física, é Química, é Matemática. São reacções químicas, leis da física ou funções trigonométricas! Sei lá eu o que são! Não sou cientista, não posso responder correctamente, mas há uma resposta científica para tudo o que se passa neste mundo. Há sempre uma resposta imparcial. Sempre.
Há pessoas que se sentem melhor sabendo que está alguém a olhar por eles lá de cima; eu não. Eu cuido de mim própria. Eu faço o que a minha consciência me diz (nunca é Deus) e faço-o o melhor possível; umas vezes por mim, outras pelos outros, mas nunca por uma suposta entidade superior. NUNCA!!
Para quem leia este texto e se interesse por estes assuntos tenho duas ressalvas a fazer: primeira, pode deixar um pequeno comentário :) , segundo, se ainda não leu, leia o livro do José Rodrigues dos Santos A Fórmula de Deus. O livro é brilhante (passo a publicidade). Nem defende exactamente o que eu defendo, mas é fantástico.
Se isto servir para mais alguém ler o livro tanto melhor, mas, ó Santos, quero uma percentagem dos lucros!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Memórias quase perdidas

A minha avó materna morreu em Janeiro. Fiquei triste, claro. Mas ainda não estou bem. Acho que estou em negação ou assim. Desde que ela morreu já tive oportunidade de ir a casa dela, mas em vez disso fiquei na casa da vizinha. Não quero entrar em casa da minha avó. É a casa dela, se eu entrar lá sem ela lá estar é a confirmação de que ela nunca mais volta. Eu não quero isso. OK, é oficial, estou em negação. Não é bem negação, eu sei que a minha avó morreu, eu sei disso, fui ao velório, fui ao funeral... parece que a família só se junta para desgraças... Eu sei que ela não está cá nem nunca mais vai estar e que eu nunca mais a vou ver, mas não quero entrar em casa dela. E, se depender de mim, não vou.
Ontem à noite estava na cama a tentar dormir e lembrei-me das coisas que ela nos fazia (a mim e aos meus irmãos). Ela dava-nos tudo. Se queríamos um chupa, ela comprava; se queríamos ir ao McDonalds, ela levava-nos; se queríamos um brinquedo ou uma revista, ela dava-nos... Ela dava-nos tudo. Não interessa o que lhe custava, não interessa se os meus pais não queriam que ela nos desse demasiadas coisas, não interessava nada. Ela dava-nos tudo. A minha mãe era filha única, mas a minha avó teve quatro netos dela. Nós eramos os meninos dos olhos dela. Eu era a menina dos olhos dela. E agora ela foi-se embora e deixou-me aqui sozinha. Estou triste. Nunca lhe disse que gostava dela, nunca lhe disse que ela era a melhor pessoa do Universo, nunca lhe disse tantas coisas... Nós eramos tão maus para ela... Fazíamos coisas de miúdos, provavelmente é isto que todos dizem: "Eram miúdos, não faz mal. Os miúdos fazem coisas estúpidas, não quer dizer que não gostassem dela. Eram miúdos." Pois eramos, mas a idade não desculpa tudo. Eu sei perfeitamente que eu tinha idade suficiente para perceber que certas brincadeiras não se fazem e que era a nossa avó. Demos-lhe demasiados problemas. Ela sempre se preocupou connosco, sempre nos defendeu. Sempre. Mas quando ela pedia para eu tocar piano para ela ou quando ela nos dava miminhos pareceia que estávamos a passar um frete, a fazer-lhe um favor, só por sermos netos.
Estou triste. Estou triste e a chorar para cima do teclado (o que é decadente). A minha avó não gostava que nós chorassemos. Quando os meus pais se chateavam connosco ela ia sempre para o nosso lado. Quando estávamos tristes ela ajudava-nos sempre. Quando tinhamos más notas na escola ela dizia que o próximo teste seria melhor. Quando o Benfica ou o Sporting ganhavam ela telefonava a dar os parabéns aos meus irmãos. lol A minha avó era o máximo. Era a melhor. Mas eu não lhe disse isso. Nunca lhe disse que gostava dela, nunca lhe disse que ela era a melhor do Mundo, nunca lhe disse nada disso e estou arrependida. Agora nunca lhe vou poder dizer tudo o que lhe quero dizer. Nunca mais a vou ver. A minha avó protectora foi-se embora. Não me interessa que as pessoas acreditem no Céu ou no Inferno, eu não acredito. Não acredito em Deus, não acredito na ressureição, não acredito que a minha avó está a tomar conta de mim e dos meus irmãos e da minha mãe e de toda a gente que ela conhecia desde lá de cima. Não acredito. Deus foi inventado. Inventado por Homens que não queriam sofrer como eu estou a sofrer. Homens que não queriam acreditar que a vida é só isto e que depois vamos embora e nunca mais voltamos, não há mais nada. Homens que não quiseram pensar que estavam sozinhos quando algum amigo morria. Pois eu não acredito em Deus. Não acredito porque escolho não acreditar. É a escolha que mais me faz sofrer, mas é a minha escolha. Dói muito saber que a minha avó estava cá e passado um momento partiu para sempre, mas prefiro sofrer do que viver numa ilusão. Eu nunca mais vou ver a minha avó. E tenho muitas saudades dela.
Já que não consegui, ou não tive coragem, de lhe dizer isto tudo enquanto ela era viva, achei por bem que alguém registasse como era a minha avó Isabel, a melhor avó do mundo.